Isto já fede

A informaçom mais destacada d’A Nosa Terra no seu número da semana passada (nº 1169) é uma (publi)reportagem dedicada ao milagre económico da empresa galega FADESA, uma das grandes do sector imobiliário. O semanário dito nacionalista e de esquerdas esforça-se em apresentar o fundador da empresa, Manuel Jove, como um self-made-man enxebre, que ainda nom esqueceu a gúbia de carpinteiro apesar de ter entrado no Gotha dos mais ricos do mundo.
A Nosa Terra esquece que o milagre de FADESA está directamente baseado nas práticas especulativas, na segregaçom social e na deterioraçom da qualidade de vida das pessoas. No nosso país, o preço astronómico da vivenda anula os moderados incrementos salariais. As hipotecas amortizáveis em trinta anos aparecem como uma pura quimera quando a temporalidade na contrataçom se converteu em norma. E o aluguer tampouco parece uma boa alternativa, dado que as rendas aumentaram cerca de um 150% desde 1989. Quem decide comprar tem de fazê-lo longe do centro das cidades, com os conseguintes problemas de transporte, caos circulatório e poluiçom. E os “modélicos” condomínios residenciais de chalés geminados das periferias de Santiago, Crunha, Vigo ou Ferrol conduzem a uma homogeneidade social no seu interior baseada exclusivamente no parámetro do nível de renda exigível para aceder a eles. Mas nada disto parece importar ao hebdomadário. Será que, como dizia Castelao, “A Nossa Terra nom é nossa, rapazes”?





